NR-35 na Construção Civil: Como a Segurança no Trabalho em Altura Salva Vidas e Evita Prejuízos nas Obras
Atualizado: 24 de ago.
A construção civil está entre os setores que mais impulsionam o desenvolvimento econômico do país. Ao mesmo tempo, é uma das atividades que apresentam maior exposição a riscos ocupacionais, especialmente quando os serviços são executados em altura. Quedas continuam figurando entre as principais causas de acidentes graves e fatais nos canteiros de obras. Em muitos casos, esses acidentes poderiam ser evitados com planejamento adequado, treinamento, supervisão e cumprimento da NR-35 – Trabalho em Altura. Mais do que uma obrigação legal, a NR-35 representa um conjunto de práticas que protege vidas, reduz custos e fortalece a cultura de segurança dentro das empresas.
O que é a NR-35?
A NR-35 estabelece os requisitos mínimos e as medidas de prevenção para qualquer trabalho realizado acima de dois metros do nível inferior, quando houver risco de queda.
Seu objetivo é garantir que toda atividade em altura seja planejada, organizada e executada de forma segura.
A norma determina responsabilidades tanto para empregadores quanto para trabalhadores, envolvendo aspectos como:
planejamento das atividades;
análise de risco;
emissão de Permissão de Trabalho (quando aplicável);
capacitação dos trabalhadores;
inspeção dos equipamentos;
sistemas de proteção coletiva;
utilização correta dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs);
procedimentos de emergência e resgate.
A segurança começa muito antes de o trabalhador subir em uma escada, andaime ou cobertura.
Por que ainda acontecem tantos acidentes?
Grande parte dos acidentes em altura não ocorre por falha do equipamento. As investigações normalmente apontam uma combinação de fatores humanos, organizacionais e técnicos.
Entre as principais causas estão:
Falta de planejamento
Quando a atividade não é previamente analisada, os trabalhadores acabam improvisando soluções durante a execução. Improvisos aumentam significativamente o risco de acidentes.
Ausência ou uso incorreto do cinto de segurança
Ainda é comum encontrar trabalhadores utilizando o cinturão sem estar conectado ao sistema de ancoragem, com talabartes inadequados ou realizando conexões em pontos sem resistência suficiente. Nessas situações, o EPI perde completamente sua função.
Ancoragens inadequadas
Um dos erros mais críticos consiste em conectar o sistema de proteção a estruturas improvisadas ou que não foram dimensionadas para suportar uma queda. O ponto de ancoragem deve ser previamente projetado, inspecionado e compatível com as cargas previstas.
Equipamentos sem inspeção
Cordas, talabartes, conectores, trava-quedas e cintos sofrem desgaste natural.
Sem inspeções periódicas, pequenos danos podem comprometer totalmente sua resistência.
Pressão por produtividade
Prazos apertados fazem com que algumas equipes negligenciem procedimentos de segurança. Pular etapas da análise de risco ou deixar de utilizar proteções coletivas para "ganhar tempo" pode resultar em consequências irreversíveis.
Falta de treinamento
O conhecimento técnico faz diferença. Trabalhadores devidamente capacitados conseguem identificar riscos, interromper atividades inseguras e adotar medidas preventivas antes que um acidente aconteça.
Quais profissionais sofrem mais acidentes?
Embora todos os trabalhadores estejam sujeitos aos riscos, algumas funções apresentam maior exposição devido à natureza das atividades.
Entre elas destacam-se:
serventes;
pedreiros;
carpinteiros;
montadores de andaimes;
armadores;
telhadistas;
instaladores de estruturas metálicas;
pintores;
eletricistas que atuam em altura.
Esses profissionais permanecem grande parte da jornada em lajes, coberturas, andaimes, plataformas elevatórias, escadas ou estruturas provisórias. Por isso, necessitam de acompanhamento constante.
Em quais níveis hierárquicos os acidentes ocorrem com maior frequência?
Uma característica observada em diversos levantamentos da construção civil é que os acidentes concentram-se principalmente entre trabalhadores da linha operacional. Isso ocorre porque esses profissionais permanecem diretamente expostos aos riscos físicos da obra durante praticamente toda a jornada.
Os grupos com maior incidência costumam incluir:
serventes;
oficiais especializados;
pedreiros;
carpinteiros;
armadores;
montadores.
Entretanto, supervisores, encarregados, mestres de obras e até engenheiros também podem sofrer acidentes quando acessam áreas de risco sem observar os mesmos procedimentos exigidos das equipes operacionais. Na segurança do trabalho, não existe imunidade em função do cargo.
Existem horários mais críticos para acidentes?
Diversos estudos sobre comportamento humano e segurança ocupacional mostram que alguns períodos do dia apresentam maior probabilidade de ocorrência de acidentes.
Os momentos mais críticos costumam ser:
Início da jornada
Nos primeiros minutos de trabalho, muitos colaboradores ainda estão organizando equipamentos, ajustando ferramentas e retomando o ritmo operacional. A falta de atenção inicial pode favorecer pequenos erros.
Antes do almoço
Próximo ao horário das refeições, fatores como fadiga física, fome e pressa para concluir tarefas podem reduzir a concentração.
Retorno do almoço
Após o intervalo, o organismo passa por um período de readaptação, podendo ocorrer redução momentânea do estado de alerta.
Final do expediente
O cansaço acumulado durante o dia, associado ao desejo de finalizar rapidamente as atividades, aumenta a probabilidade de falhas operacionais. Esses períodos exigem atenção redobrada por parte das lideranças.
O comportamento humano ainda é um dos maiores desafios
Mesmo quando existem equipamentos modernos e procedimentos bem definidos, o comportamento continua sendo um fator decisivo.
Entre os comportamentos inseguros mais frequentes estão:
retirar o talabarte para facilitar a movimentação;
subir em estruturas improvisadas;
utilizar escadas inadequadas;
deixar de inspecionar os EPIs;
trabalhar sem isolamento da área;
realizar atividades sob condições climáticas desfavoráveis;
confiar excessivamente na experiência.
A maioria dos trabalhadores acidentados já havia executado aquela mesma tarefa diversas vezes.A rotina pode criar uma falsa sensação de segurança.
A importância das proteções coletivas
A NR-35 prioriza as medidas de proteção coletiva antes do uso dos EPIs.
Entre elas destacam-se:
guarda-corpos;
linhas de vida;
plataformas de trabalho;
redes de proteção;
sistemas de ancoragem certificados;
sinalização;
isolamento das áreas de risco.
Quando corretamente implantadas, essas soluções reduzem significativamente a probabilidade de quedas.
A cultura de segurança começa na liderança
Nenhum programa de segurança funciona apenas com normas escritas. É fundamental que diretores, engenheiros, mestres de obras e encarregados demonstrem, diariamente, comprometimento com a prevenção. Quando a liderança utiliza corretamente os EPIs, interrompe atividades inseguras e incentiva o diálogo sobre riscos, toda a equipe passa a compreender que a segurança é um valor da empresa, e não apenas uma exigência legal.
Investir em prevenção é investir na própria empresa
Acidentes em altura geram consequências que vão muito além dos danos físicos ao trabalhador. Eles podem resultar em:
paralisação da obra;
aumento dos custos operacionais;
multas administrativas;
processos judiciais;
perda de produtividade;
danos à imagem da empresa;
aumento dos custos com seguros;
impacto emocional sobre toda a equipe.
Por outro lado, empresas que investem continuamente em treinamento, fiscalização, planejamento e gestão de riscos tendem a apresentar ambientes mais seguros, equipes mais produtivas e maior credibilidade perante clientes e órgãos fiscalizadores.
Conclusão
A NR-35 representa um dos pilares da segurança na construção civil. Seu cumprimento vai além da conformidade legal: é uma demonstração de responsabilidade com a vida, com a qualidade dos serviços e com a sustentabilidade do negócio. Em um setor onde cada decisão pode ter consequências significativas, prevenir acidentes em altura é uma escolha técnica, ética e econômica. Transformar a segurança em parte da cultura organizacional significa proteger pessoas, preservar patrimônios e construir um ambiente de trabalho mais eficiente e confiável para todos.
A Esquadro Engenharia, está apta a ministrar e capacitar trabalhadores na NR-35 e demais Normas Regulamentadores do Ministério do Trabalho.




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